domingo, novembro 05, 2017

Haja Vagar - Movimento Slow

Rainbow colours on a snail figure


Ler devagar

Viver com vagar

Respirar demoradamente

Sentir o bater do coração

Escutar

Guardar-se para amanhã

Recusar a vertigem

Pensar melhor

Pensar de outra maneira

Começar por si

Dar tempo

Desacelerar

Reparar

Reservar



Hoje



Ler mais (em inglês)

Slow movement moves into slow books



Em português - as coisas boas levam tempo...

http://www.slowmovementportugal.com/historia-e-principios/


sexta-feira, novembro 03, 2017

Ler o território - um passo certo, informação cadastral

BUPi - Balcão Único do Prédio
Até 31 de outubro de 2018 o processo de registo de prédios omissos é gratuito. Termina nesse dia a primeira fase do projeto-piloto, que envolve 245.821 hectares, e 10 concelhos, todos do interor de Portugal Continental.
Citando:
"O novo sistema de informação cadastral simplificado entrou em funcionamento no dia 1 de novembro, e vem criar condições para simplificar e agilizar a identificação dos donos dos prédios rústicos e mistos e da localização georreferenciada desses prédios.


Este projeto inicia-se em 10 concelhos-piloto: Alfândega da Fé, Caminha, Figueiró dos Vinhos, Góis, Castanheira de Pera, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela, Proença-a-Nova  e Sertã, onde estarão a funcionar postos de atendimento nas Conservatórias, que operam numa plataforma eletrónica que potencia o relacionamento entre o proprietário e a Administração através de um único ponto de contacto.

O sistema vem criar um procedimento de representação gráfica georreferenciada, que visa definir a localização exata dos prédios rústicos e mistos e os seus limites, assim como cria o procedimento especial de registo de prédio omisso, de forma a identificar a titularidade das propriedades que ainda não constam da base de dados do registo predial. 
É ainda criado o Balcão Único do Prédio (BUPi) como plataforma eletrónica que reúne toda a informação relevante sobre o prédio, disponível na Administração pública.
O território nacional apresenta um número elevado de prédios que são conhecidos na matriz, ou seja, que são declarados pelos seus proprietários para efeitos de finanças, pagando imposto, mas que nunca foram declarados nos registos. Esta situação decorre, entre outros, do facto de o registo apenas ser obrigatório desde há menos de 10 anos. 
Esta medida pretende contrariar esta realidade, trazendo mais prédios para o sistema registal e harmonizando a informação entre as várias entidades, com benefícios claros para a economia ao nível da segurança jurídica das transações, e que contribuirá, igualmente, para ultrapassar o problema enfrentado na época de incêndios.
A iniciativa da georreferenciação pode ser desencadeada pelos particulares ou por entidades públicas competentes ou entidades de gestão florestal mas a elaboração da georreferenciação tem de ser feita por um técnico habilitado, público (sem custos) ou privado."


Informação cadastral simplificada entra em vigor

quarta-feira, outubro 18, 2017

Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira

Foto de Maria Do Carmo Bica.


Discurso na tomada de posse, 17.10.2017, em nome da bancada do BE na Assembleia, texto disponível aqui https://www.facebook.com/notes/maria-jose-vitorino/na-tomada-de-posse-da-assembleia-municipal-de-vila-franca-de-xira/1812885798726071/

Mesmo em dia de luto nacional que a todos nos perturba e alerta, há que dizer-se das coisas, o somenos que elas são.



(76) Maria Jose Vitorino

terça-feira, outubro 17, 2017

Neste tempo de casas ardidas

Foto de Ana Margarida De Carvalho.Foto de Ana Margarida De Carvalho.

Imagens de Ana Margarida de Carvalho, outubro 2017, Portugal

COMO SE DESENHA UMA CASA

Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.
Protege-te delas, das recordações,
dos seus ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.
Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso.

Manuel António Pina

sábado, outubro 14, 2017

Fazer e inovar em conjunto, arriscando falhar



Entrevista em 2017.

Pelo futuro da Cultura, é preciso inovar na criação e nos modos de organização

Acesso via Mapa de Ideias.

sexta-feira, outubro 13, 2017

quinta-feira, outubro 12, 2017

ANTI-CARIMBOS

Agostinhodasilva.png
Mensagem aos Portugueses
O que quero de todos os portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é. Alguma coisa que ele sinta que o está desenvolvendo na mensagem única que tem que dar do mundo, de maneira que a minha mensagem para qualquer aluno de qualquer escola é: faça favor de cuidar da sua mensagem e não da minha. A minha foi, é só para dizer «cuide da sua», porque essa é que tem importância. E a mensagem será vossa na medida em que for o mais diferente possível da minha, ou de qualquer outra. Senão, para quê duplicados no mundo? Não é preciso. Para isso é que inventaram os carimbos. Eu não sou um carimbo de ninguém. 
Agostinho da Silva, in Entrevista

terça-feira, outubro 10, 2017

Zeca Afonso - Que Amor Não Me Engana





Em novas coutadas

Junta de uma hera

Nascem flores vermelhas

Pela Primavera

Assim tu souberas

Irmã cotovia

Dizer-me se esperas

Pelo nascer do dia



https://www.letras.mus.br/zeca-afonso/917726/


quinta-feira, outubro 05, 2017

Palavras da Clara Idade

 Foto de perfil de Frederico Lourenço
O corpo não é o inimigo da alma. É essa a minha crença. Ambos precisam do mesmo sustento, que a ambos “liberta”: a verdade. Não falo de uma verdade teológica, filosófica ou outra. Falo apenas da limpidez autêntica da verdade, em todos os nossos actos, gestos e palavras. Assim, o inimigo da alma não é o corpo; o inimigo da alma é o contrário da verdade. 
Frederico Lourenço


Fabuloso final deste texto, publicado hoje no Facebook.
Bela forma de acolher mais uma madrugada nesta vida que nos coube.

O texto integral
Sobre a alma
Não me chamo Platão nem Aristóteles e não tenho qualquer competência filosófica ou teológica para falar sobre a existência e natureza da alma. Feita esta advertência, deixem-me falar-vos da minha alma (pois sobre a vossa seria presunção pronunciar-me).
Pessoalmente, não tenho dúvida de que o meu corpo veio ao mundo apetrechado dessa coisa que nunca a medicina legal encontrará na eventualidade de eu vir a ser autopsiado. Não sei se a minha alma continuará viva depois de eu morrer e não sei se já estava viva antes de eu nascer. As explicações religiosas sobre a alma (sejam elas cristãs, hindus ou outras) deixam-me perplexo, numa recusa de dar o mergulho no oceano da fé irracional, que é mar onde já não me apetece nadar.
No entanto, sinto que a minha alma não existe independentemente da existência de um Ente Divino (aqui o alemão dá tanto jeito, com o seu género neutro: “Göttliches Wesen”), a que por vezes chamei Deus e agora não chamo nada, preferindo que tudo o que se passa entre Ele e a minha alma aconteça sob a capa do anonimato.
Às vezes parece-me impossível que, depois da minha morte, a minha alma parta para Ele porque não imagino que Lhe sirva de alguma coisa. Ele havia de querê-la para quê? Até porque quando eu morrer ela estará tudo menos assepticamente limpa, antes de mais porque não sou daqueles que acreditam ser a alma uma coisa cuja brancura deva ser salvaguardada a todo o custo pela lixívia da castidade.
Não, a minha alma quando eu morrer não estará inexperiente de vivências sexuais ou amorosas, nem de vivências que foram sexuais e amorosas. Porque a alma – pelo menos a minha –, se serve para alguma coisa, serve essencialmente como órgão do auto-conhecimento; e nesse processo o sexo e o amor têm um papel fundamental a desempenhar. E cá para mim, sem essas vivências a minha alma evaporar-se-ia à minha morte bem “coisinha”, para não dizer mesmo parvinha.
O corpo, na verdade, é como o disco externo da alma. Estão sempre ligados e é ele que faz em grande parte o trabalho dela. Goethe escreve “infindável é o trabalho que a alma nos exige” (Ifigénia na Táurida). Mas sem o corpo, sem as coisas próprias do corpo, esse trabalho fica por fazer. Adaptando a metáfora desportiva sugerida por Platão, quando assemelha a alma a um auriga que tem de controlar dois cavalos, o corpo tem de estar em forma para cumprir esse trabalho infindável até ao fim. Por isso a incontinência alcoólica, tabágica, cafeínica, glicémica, psicofarmacológica, erótica etc. impede o corpo de estar em forma para assumir o trabalho da alma, o que é muito diferente de dizermos que, a bem da alma, não devemos beber, fumar, comer ou fazer amor. Claro que devemos beber, comer, tomar café e fazer amor.
Os padres gregos da igreja, como João Clímaco e outros, aconselhavam a martirização do corpo como forma de subir a escada que leva ao céu. Já antes Platão dissera que os prazeres são como pregos que impedem a alma de se libertar do corpo. Ora bem: libertar do corpo. Será que é isso que ela quer? Desligá-la do corpo não será desligá-la da tomada, da sua única fonte vital de energia? No fundo, não terá a alma tanto a beneficiar do corpo, como o corpo tem a beneficiar da alma?
O corpo não é o inimigo da alma. É essa a minha crença. Ambos precisam do mesmo sustento, que a ambos “liberta”: a verdade. Não falo de uma verdade teológica, filosófica ou outra. Falo apenas da limpidez autêntica da verdade, em todos os nossos actos, gestos e palavras. Assim, o inimigo da alma não é o corpo; o inimigo da alma é o contrário da verdade.
Frederico Lourenço 

quinta-feira, setembro 28, 2017

Ler estatísticas. E tudo pode ser (mais) o que parece

Um artigo elucidativo de Nuno Serra, 2017


Ladrões de Bicicletas: E pur si muove: o mercado de trabalho e as suas es...: 1. Há cerca de três anos, quando a destruição de emprego atingia níveis sem precedentes, a emigração regressava a valores dos anos sessen...

terça-feira, setembro 26, 2017

Mulheres ibéricas, o passado conta



LAS SINSOMBRERO 

 é um projeto crossmedia com o objetivo de recuperar e divulgar o legado das mulheres olvidadas da primeira metade do século XX en Espanha. Recomenda-se.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Olha nós em cinema


A Fábrica de Nada - Trailer from TERRATREME FILMES on Vimeo.
O argumento, escrito por Pinho, Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, parte de uma ideia de Jorge Silva Melo: adaptar a peça de Judith Herzberg e fazer um musical para crianças. Apesar de Silva Melo ter desistido do projecto, Pedro Pinho resolveu transformá-lo em filme.


Lisboa

  • Nimas

    Telefone:
    213574362
    Sessões:
    5ª Sáb Dom 2ª 3ª 4ª 14h, 17h30, 21h30 6ª 14h, 17h30
  • Cinema Ideal

    Telefone:
    210998295
    Sessões:
    5ª 6ª Sáb Dom 2ª 3ª 4ª 16h, 21h
  • UCI Cinemas - El Corte Inglés

    Telefone:
    Sessões:
    5ª 6ª Sáb Dom 2ª 3ª 4ª 18h30

domingo, setembro 24, 2017

Elogio da edição revolucionária : Orfeu Negro, Judith Butler, 2017



Há editoras que nos cabem no coração, e, ao mesmo tempo, o ampliam. É o caso da Orfeu Negro, um caminho arrojado a produzir desde 2007,  pela audácia dos temas e o primor na linguagem e na edição de cada título. Sou fan, tanto da linha "para estudiosos" como da maravilhosa colecção Orfeu Mini, encetada em 2008, para miúdos e graúdos, e da inquietadora Casimiro.

Ontem, lançou mais um ensaio, para estudiosos, algo hermético mas nem por isso menos significativo para o homem e a mulher comuns. Trata-se do livro de Judith Butler, Problemas de género, numa bela tradução em português de Nuno Quintas, com a colaboração de João Manuel Oliveira e João Berham.

Quando não são assim tão cuidadosamente publicados, traduzidos e preparados para a leitura e a fruição de muitos mais leitores, os livros correm o risco de serem muito citados mas pouco lidos. E de citação e citação, se tornam banais e, mesmo, incompreensíveis.


Em português, e por mão da Orfeu Negro, há menos perigo de tal continuar a acontecer com esta obra, no centro do debate sobre o género e o feminismo na atualidade. Coisas que, se forem bem discutidas, podem ajudar a viver melhor muita gente, por ajudarem a compreender o que são as pessoas, e o que somos, para além das palavras que usamos, e pelo efeito que as palavras têm no modo como nos pensamos.

As ideias de Butler já tinham sido introduzidas em Portugal na tese de doutoramento da investigadora Conceição Nogueira ( 1997, Universidade do Minho). Terá sido desde 1991 na dança contemporânea – com Vera Mantero, Francisco Camacho, Carlota Lagido, Miguel Pereira, João Fiadeiro – que se “notaram os primeiros efeitos” de “Problemas de Género”.


"Definir identidades tem um problema: as identidades são pequenas demais para nos descreverem e ao descreverem-nos estão a produzir o sujeito que querem descrever”, entende João Manuel de Oliveira. “Descrever é já produzir um determinado sujeito. Quando se diz a uma menina que ela é muito feminina, está-se a construir, e a constranger, o que a menina vai ser. Não é apenas este discurso que contribui para isso, há outras estruturas sociais que o fazem. A ideia de ‘gay’, para a maioria das pessoas, incluindo muitos homossexuais, aponta para uma certa pertença a uma classe social, uma certa inserção racial, um certo capital económico. Mas há muitos gays que não são isso e, eventualmente, a palavra não esgota a possibilidade de serem outras coisas ao mesmo tempo. A Butler demonstra isso a partir da categoria ‘mulher’. Ele desconstrói a ideia de mulher, vem dizer que se trata de uma construção do discurso. Discurso não são apenas as palavras, são as instituições, desde logo o Estado, que geram representações.”
Notícia sobre o lançamento, 23.09.2017, Lisboa, aqui
Catálogo da Orfeu Negro:


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