terça-feira, maio 09, 2017

Candidatura

Candidato do BE à Câmara Municipal para 2017-2020: Carlos Patrão
João Machado (mandatário), Carlos Patrão, Alexandre Kafé, Maria José Vitorino, Catarina Lourenço, João fernandes, Vanessa Mendes, Nuno Onça (candidatos) e Pedro Filipe Soares (deputado na assembleia da República)


Esperança e confiança. Fazer acontecer


Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Geraldo Vandré (1968)

Como fazer a hora, no tempo que nos cabe?
Que canções estamos a cantar, e que outras ajudamos a inventar?
Há 40 anos, ao som de duas canções senha que todos hoje conhecemos, a coluna de Salgueiro Maia saiu de Santarém, cumprindo um plano de esperança e confiança. Ficaram célebres as palavras do capitão aos seus camaradas de unidade: quem quiser vir, venha, quem não quiser vir, fique. E ficaram célebres justamente, pois em poucas palavras não poderia representar melhor o sentido da democracia e da liberdade.
A liberdade começa em cada um e cada uma de nós, o futuro muda pelas mãos de homens e mulheres livres que escolhem, que conseguem amar e arriscam agir. E assim como hoje e no dia de votar, todos os dias se atrevem a sair de casa, do quartel, da sombra, para fazer acontecer.
A democracia que nunca está garantida - temos de a aprofundar para a defender. Não é fácil hoje, como nunca o foi.
E não há receitas prontas, para aquecer em micro-ondas. Tem mesmo de ser feita na altura, arriscando falhar para poder aprender, ao vivo.
Quantas vezes nos sentimos pessimistas quando olhamos o que se passa à nossa volta, na nossa casa e na nossa rua, no concelho, no país, no Mundo? É verdade que muitas, mas a força de que precisamos também nos chega dos sinais de esperança que tantos movimentos nos transmitem, em novos e antigos combates, pelos direitos humanos, por outra vida mais justa, mais digna, mais feliz para toda a gente. Contra a pobreza e a exploração das pessoas por outras pessoas, a desigualdade e o desemprego, a ignorância e o medo, o racismo e a discriminação, a xenofobia e a homofobia, a destruição do Planeta e dos seus recursos. Combates não faltam.
A cidade que queremos estar a construir, generosa e solidária, é uma cidade de alegria e confiança, mas não está feita nem tem receita. É feita de gente como nós, que erra e acerta, e aprende fazendo e pensando melhor. Requer rumo certo e mão firme, persistência e tolerância, ponderação e audácia, equilíbrio e coragem.
Este caminho não começou hoje, nem acabará agora.
Desde a sua fundação, o Bloco de Esquerda escolheu sempre atender à chamada nas eleições autárquicas.

Apresentamos listas e propostas, queremos verdade e transparência, e políticas certas hoje para um futuro de consequências muito melhores, democrático, livre e diverso, digno, solidário, generoso e feliz.

Pela confiança de quem votar BE, estaremos no nosso concelho, nas Assembleias de Freguesia e na Assembleia Municipal, nas Juntas de Freguesia e na Câmara Municipal, lutando por vida melhor para todos e todas, com todos e todas. Em Vila Franca de Xira, as nossas vozes fazem e farão a diferença. Flores? Flores!
Como escreveu o Pedro Lobo Antunes em tempos bem mais duros : 
Nos teus olhos vê-se a flor/ Vê-se a flor que trazes dentro / Nascem flores onde quiseres /Não deixes que as leve o vento.
Neste caso, travar o vento do desalento e do conformismo: propor-se a votos e votar, no dia 1 de Outubro de 2017.

Caminhamos, cantando, e seguindo a canção. Acreditando nas flores, para vencer o canhão. Mais flores, menos dores, mais flores. Como nos ensinaram tantos outros, e nos exigem os que agora nascem. 

Quem quiser ficar, que fique. Quem quiser vir daí, que venha.
Contem comigo, contem connosco, contem com o Bloco de Esquerda.

Póvoa de Santa Iria, Rua dos Marinheiros
Apresentação de candidatos do BE às eleições autárquicas

8 de Maio de 2017
Maria José Vitorino, 1ª candidata pelo BE à Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira.


segunda-feira, maio 08, 2017

Escrito no ar, transcrito por Sophia

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Nestes Últimos Tempos 

Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças.

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo —  de seu
Viscoso gozo da nata da vida — que diremos

De sua feroz ganância e fria possessão?.
Que diremos da sua sábia e tácita injustiça

Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?

Sophia de Mello Breyner Andresen
in O Nome das Coisas, publicado pela primeira vez em 1977 

Sophia de Mello Breyner Andresen, "O Nome das Coisas"

Mãe

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Miguel Torga e sua mãe, falecida em 1948- Fonte aqui

Mãe: Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endureceu Numa linha severa e desenhada? 
Como as estátuas, que são gente nossa Cansada de palavras e ternura, Assim tu me pareces no teu leito, Presença cinzelada em pedra dura, Que não tem coração dentro do peito. 
Chamo aos gritos por ti – não me respondes. Beijo-te as mãos e o rosto – sinto frio. Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes Por detrás do terror deste vazio. 
Mãe: Abre os olhos ao menos, diz que sim! Diz que me vês ainda, que me queres. Que és a eterna mulher entre as mulheres. Que nem a morte te afastou de mim! 

Miguel Torga

quarta-feira, maio 03, 2017

Isabel Mota, Presidente da Fundação Gulbenkian 2017

 DR
Mota, numa declaração divulgada em Dezembro, assumia, entre os seus compromissos para o futuro, que “os mais vulneráveis […] deverão ser os principais beneficiários da actividade da fundação” e que são “a arte e a cultura […] que nos dão a sabedoria e constituem os alicerces da tão necessária tolerância nos tempos conturbados em que vivemos”
Assim seja!



Isabel Mota, o plano B da Gulbenkian tem um lado sorridente - PÚBLICO

Salvador Sobral - Amar Pelos Dois


Versão com piano

domingo, abril 30, 2017

In memoriam Paulo Varela Gomes 1952-2016

Foto de Vitor Serrão.

Quando morre um homem

Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?

Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade? 

Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações? 

Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina ?


Ruy Belo, 'Aquele Grande Rio Eufrates' (1961)

domingo, abril 23, 2017

"Arte não é informação" - Leia o texto inédito de Luiz Camillo Osorio - Prêmio PIPA


Tecnologia sem sabedoria
é gaita que não assobia

(digo eu, que adoooooooooooooooro novidades da tecnologia)


"Todavia, o fundamental é, acima de tudo, ver as obras, perder tempo vendo, reparar, olhar, falar sobre o que está sendo visto (ou imaginado), destacar as especificidades e o que interessa ou não nas obras. Deixar algum eventual desamparo atuar e saber lidar com ele no enfrentamento da arte. O importante é ir se dando conta de que olhar e falar do que está vendo é determinante na formação do gosto e do nosso conhecimento. Isso acontece naturalmente e é sempre comparativo e acumulativo. Se de fato houver interesse, quanto mais se vê, mais se gosta e quanto mais se gosta, mais se quer saber. Entretanto, ninguém gosta por nós e tampouco será sabendo sobre as obras, acumulando informação, que se vai poder gostar de arte. Arte é experiência.(...)O perigo desta tecnologia, digo isso sem demonizar sua presença já instaurada em nossas vidas, é que ela acaba introduzindo um elemento entre nosso olho e o quadro, que tira ainda mais tempo do nosso prazer com o que não sabemos, com aquilo que não é da ordem do saber, com o que não é informação, mas expressão. É claro que os otimistas sempre retrucam que uma coisa não elimina a outra. Em tese tudo bem. Entretanto, nossa subjetividade já está danificada, viciada na informação, completamente desacostumada em não saber e ser convocada por isso. O não-saber que nos convoca é raro, mas é ele que caracteriza a experiência estética, a potência sem nome que nos faz sentir e pensar sem necessariamente já-saber e que vai constituindo em ato novas formas de saber. É justamente no intervalo entre percepção, reconhecimento e saber que entra em cena a imaginação, a faculdade que nos faz ir além do sabido e a arriscar novas possibilidades de saber.Vivemos em uma época acelerada. Não temos tempo para re-parar em nada, pois precisamos estar em movimento e acumulando (e descartando) informações. Nada como a tecnologia para nos garantir mais material informativo, sem nos perguntar se teremos tempo para ler tudo isso e saber tanta coisa. Ou seja, a mediação tecnológica pode estar nos tornando detentores de muito conhecimento (e poder), mas simultaneamente, desconfio eu, está nos deixando ainda mais pobres de experiência, regredidos esteticamente e limitados na nossa capacidade de imaginar. Por isso, acho bacana, mas tenho um pé-atrás em relação a este aplicativo da Smartify."

"Arte não é informação" - Leia o texto inédito de Luiz Camillo Osorio - Prêmio PIPA



Texto de 20.04.2017, acedido via Maria Vlachou, no Facebook

Leitura & cidadania


Estudo para cartaz. Miguel Horta, 2017

Não ser letrado é uma forma de pobreza

Teresa Calçada
Comissária do Plano Nacional de Leitura
2017

Celebramos a leitura e as parcerias do Bairro Leitor na próxima 4ª feira, com vozes de miúdos e graúdos no Casalinho da Ajuda, na Lisboa que amamos
Uma Biblioteca ao mesmo tempo escolar e comunitária, porque esteja a gente onde estiver, sempre somos gente que lê e quer que todos saibam, possam, consigam ler. Contra a exclusão e a pobreza em todas as suas formas, para vivermos melhor.
Um edifício público inaugurado em 1983 que ganha novas valências, atento à população que servimos.

A Laredo Associação Cultural está envolvida desde o início neste projeto BIPZIP, de que é promotora com a Junta de Freguesia da Ajuda e a AASPS. 
Por aqui ando construindo, com a ajuda de muitos e uma bela equipa que vai crescendo - Mónica Cordeiro, Lurdes Caria, Miguel Horta, Isabel Branco.

Assim à nossa maneira celebramos também o Dia Mundial do Livro (23) e o 25 de Abril!

Mapa do local aqui


Não ser letrado é uma forma de pobreza (e de exclusão)

Elsa Maria Conde (à esquerda) e Teresa Calçada


Até agora o Plano Nacional de Leitura (PNL) esteve concentrado nos alunos e nas suas famílias. Como se leva o plano para fora da escola? 
Teresa Calçada (T.C.) — O PNL quer que se leia em todo o lado. Vamos apostar em estratégias que ponham a leitura como um bem na vida das pessoas, como um combate à pobreza. Não ser letrado é uma forma de pobreza.
Plano Nacional de Leitura vai ter medidas para pôr os rapazes a ler mais - PÚBLICO

Se não se ler bem, é-se diminuido na cidadania e nas oportunidades - PÚBLICO

Cartoonxira 2017

Foto de Vasco Gargalo.

Persistir é vencer
Parabéns, António
Parabén, Vila Franca de Xira. Este ano, com o Quino

Parabéns à AJA

Foto de Helena Pato.



No próximo dia 25 de abril com a inauguração, pela CML, do memorial a José Afonso, no jardim das francesinhas, culmina um longo caminho, iniciado pelo Núcleo de Lisboa, da Associação José Afonso, ao apresentar ao orçamento participativo de 2012 o projeto de um memorial a José Afonso, projeto esse vencedor do referido orçamento. Convidámos a Faculdade de Belas Artes de Lisboa para que os seus alunos elaborassem o projeto e é o resultado desse trabalho, que teve entretanto muitas alterações, como acontece em situações deste tipo, que agora temos o prazer e a honra de podermos divulgar e apelar à vossa participação na sua inauguração.Estamos todos de parabéns! A CML, a AJA, a FBAL, os amigos do Zeca e todos quantos trabalham de forma empenhada para que a sua memória permaneça viva

(Do comunicado aos associados da AJA)

Mapa:

quinta-feira, abril 06, 2017

Adriano Correia de Oliveira - "Tejo que levas as águas" do disco "Que N...

2077 - 10 segundos para o Futuro




Trailer anunciando produçãoem curso, que promete, na RTP.

Via Marta Bobichon Neves

Gentileza, Ternura, Compaixão tornam-nos mais saudáveis

 
Richard Davidson, doutor em Neuropsicologia, investigador em neurociência afectiva
Descobri que uma mente calma pode produzir bem-estar em qualquer tipo de situação. E quando me dediquei a investigar, por meio da neurociência, quais são as bases para as emoções, fiquei surpreso de ver como as estruturas do cérebro podem mudar em tão somente duas horas.(...)
Os estudos nos dizem que estimular a ternura em crianças e adolescentes, melhora os resultados acadêmicos, o bem-estar emocional e a saúde deles. 

E como se treina isso?
Primeiro, levando a mente deles até uma pessoa próxima, que eles amam. Depois, pedimos que revivam um momento em que essa pessoa estava sofrendo e que cultivem o desejo de livrar essa pessoa do sofrimento. Logo, ampliamos o foco para pessoas não tão importantes e, por fim, para aquelas que os irritam. Estes exercícios reduzem substancialmente o bullying nas escolas. 

Da meditação à ação há uma distância.
Umas das coisas mais interessantes que tenho visto nos circuitos neurais da compaixão é que a área motora do cérebro é ativada: a compaixão te capacita para agir, para aliviar o sofrimento.
Tibet House Brazil – “A base de um cérebro saudável é a bondade, e pode-se treinar isso”

Traduzido do original - artigo de La Vanguardia (2017)

quarta-feira, abril 05, 2017