sábado, dezembro 21, 2013

ON OFF ONOFRE



música e letra: José Mário Branco)

"Onofre": nome português para "on-off"

Quando o espectro de Goebbels me ensombra
e me agride com mais
Guerra mediática
E a sua matilha se maquilha
Quando essa escolha cuidada de coisas reais
ficcionadas, iguais
Sem lei nem gramática
Faz de cada Homem uma ilha
Quando vem a maré negra dessa matilha
obscena
E para sobreviver há que sair de cena
Resta só a solução de premir o botão
Quem sofre
Quem sofre
Quem sempre sofre é o Onofre
Quando a voz do Grande Irmão mostra
sempre outra cara escondendo
A paz totalitária
No negócio do seu matadouro
Quando propagandeando a janela do mundo
só abre p'ra dentro
E é sempre o cenário
Em que o sangue valoriza o ouro
Os jornalistas clonados facturam a desgraça
Nem no amor nem na dor a caravana passa
Vou vomitar e então carrego no botão
O Onofre
O Onofre
Triste poder de quem sofre
Quando p'ra tanto poder parece que já nada
podemos fazer
P'ra nos mantermos vivos
E eles tão seguros da vitória
Quando agressivos, banais, sorridentes,
coprófagos fartos de ser
Plurais digestivos
Até resistir é uma história
Só o Onofre me diz que o dono inda sou eu
Que esse terrível poder ninguém o elegeu
E logo a alma da mão carrega no botão
Onofre
Onofre
És o segredo do cofre

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Bibliotecários/as nos filmes - Parte I a III





O futuro está em nós

A Troika não tem nada a ver com o exame a que os professores iam ser sujeitos hoje. Nem com a marosca dos Estaleiros de Viana, nem com a Foral, nem com a criação de um lugar para o ex-comandante da PSP em Paris e, muito menos, com o caos da reforma do IRC. A Troika não pode ser desculpa para tudo, principalmente quando não tem culpa. A gente culpa a Troika, justamente, por ser cega e surda, mas se imaginarmos que a Troika de cegos e surdos lida com um governo de incompetentes e loucos, temos um resultado que inquieta.
A Troika não obrigou a UGT a vender-se por causa da prova. A Troika não impõe a transferência de competências para as freguesias, na lei Relvas, que põe em risco a sobrevivência das bibliotecas de Lisboa. A Troika nunca mandou assinar o acordo de pescas com Espanha para continuar a prejudicar os nossos pescadores. A Troika não foi ao Parlamento Europeu impedir a troca de sementes. A Troika nunca pediu reformas vitalícias para os administradores da EPUL nem sustentou mordomias aos juizes jubilados. A Troika não mandou parar os Simplex. A Troika não impediu o investimento na cultura, não impôs benefícios fiscais aos Casinos portugueses. A Troika, que se saiba, não exige que se cumpra o Acordo Ortográfico nem que os preços das telecomunicações em Portugal sejam dos mais altos da Europa.
A Troika não mandou empregar o filho do senhor Aguenta Ulrich no Estado, nem quer a dissolução da RL Mozart. A Troika não somos nós, portugueses.
Sim, a Troika é um bando de depravados capitalistas, sem ética nem moral. Nós, no entanto, somos suicidas políticos, porque andamos há 40 anos a votar em Cavacos. Paremos de nos queixar da Troika, antes que a Troika se queixe de nós, com toda a razão.
João Vasco Almeida, 18.12.2013, de Lisboa para o Facebook 

domingo, dezembro 15, 2013

objectivos irrealistas - gui



objectivos irrealistas - gui

Ladrões de Bicicletas: As verdadeiras gorduras da Educação


Sublinhe-se que neste processo não está apenas em causa continuar a financiar, com o dinheiro de todos os contribuintes, uma educação de luxo que é, em regra, só para alguns, os «escolhidos» entre famílias de elevado estatuto sócio-económico (e em prejuízo do financiamento e da qualidade da escola pública). O que está igualmente em causa é a transformação profunda do sistema de ensino, que assim trilha a acentua os passos de uma crescente dualização, tornando-se, ao arrepio de uma escola que se quer democrática e inclusiva, fonte de reprodução das desigualdades sociais. A experiência sueca está aí para o demonstrar.
Ladrões de Bicicletas: As verdadeiras gorduras da Educação

terça-feira, dezembro 10, 2013

José António Pinto deixou medalha de ouro no Parlamento em sinal de protesto - Política - Notícias - RTP


Um cidadão justamente medalhado pela sua ação em prol dos Direitos Humanos deu uma medalha de mau comportamento aos dirigentes políticos do seu país. Também vivemos de símbolos, e este dá alento e esperança para quem luta por outros modos de viver.

Notícia aqui:
José António Pinto deixou medalha de ouro no Parlamento em sinal de protesto - Política - Notícias - RTP
Saiba mais sobre ele:
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/troco-esta-medalha-por-outro-modelo-1615543#/0

segunda-feira, dezembro 09, 2013

5 Principles for New Librarianship | Designer Librarian


Principle 3: New librarianship is rooted in multiple disciplines, including library science, information science, media studies and the learning sciences.
  • By the 1990s, the separate disciplines of library and information science had merged together in library school (thanks to information literacy). It’s time for another merger, and in particular, media studies and the learning sciences (e.g. digital media and learning) need to be merged with library and information science. The technology integration skills called for by the AASL and blended and embedded librarianship require an ability to find, use, evaluate and integrate appropriate technologies for a variety of literacy and learning practices. At the very least, that requires an understanding of human learning and how it’s applied to digital media.

5 Principles for New Librarianship | Designer Librarian (Via Luzia Verdasca Antunes)

domingo, dezembro 08, 2013

III Congresso da Oposição Democrática de Aveiro - exposição virtual, fontes primárias



Foi em 1973, em Aveiro, Portugal.
Em 2013, uma exposição virtual primorosa não nos deixa esquecer e faz-nos pensar, muito e em nós. Serviço público de cultura é isto. Valeram a pena os dias árduos e as noites penosas, de há 40 anos, e dos anos que vieram depois.

Centro de documentação 25 de Abril - Page Site

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Vencer


Dizia Mandela que este era o poema que mais o tinha inspirado.

 "INVICTUS

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria, 
Somente o Horror das trevas se divisa; 
Porém o tempo, a consumir-se em fúria, 
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."

 Do poeta inglês William Ernest Henley (1849-1903).

quinta-feira, novembro 28, 2013

Biblioteca alternativa - EUA


The library has more than 900 members, include about 50 lifetime members, and about 6,000 titles, Beckhorn said. Topics include many that one would find in any library or bookstore, such as history, literature, biography and children's books. Topics with more extensive selections include science fiction, anarchist theory and cartoon art books.
The library also provides room for events, such as poetry readings, open mic benefits, art workshops and art practice sessions. Long-range plans include a skill exchange, tool library and an expanded outlet for handmade products made by members.




Read more here: http://www.bellinghamherald.com/2013/11/23/3332447/alternative-library-offers-books.html#storylink=cpy

Primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco

Texto absolutamente notável, para crentes e não crentes, católicos e não católicos do século XXI.

Não a uma economia da exclusão 

53. Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do «descartável», que aliás chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são «explorados», mas resíduos, «sobras».
54. Neste contexto, alguns defendem ainda as teorias da «recaída favorável» que pressupõem que todo o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos sacralizados do sistema económico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe. A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espectáculo que não nos incomoda de forma alguma.

do site da Rádio Vaticano 
Ler o texto integral aqui:
Primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco

quarta-feira, novembro 20, 2013

Liberdade


Pájaros prohibidos1976Libertad 

Los presos políticos uruguayos no pueden hablar sin permiso, silbar, sonreír, cantar, caminar rápido ni saludar a otro preso. Tampoco pueden dibujar ni recibir dibujos de mujeres embarazadas, parejas, mariposas, estrellas ni pájaros.
Didaskó Pérez, maestro de escuela, torturado y preso por tener ideas ideológicas, recibe un domingo la visita de su hija Milay, de cinco años. La hija le trae un dibujo de pájaros. Los censores se lo rompen a la entrada de la cárcel.
Al domingo siguiente, Milay le trae un dibujo de árboles. Los árboles no están prohibidos, y el dibujo pasa. Didaskó le elogia la obra y le pregunta por los circulitos de colores que aparecen en las copas de los árboles, muchos pequeños círculos entre las ramas:
- ¿Son naranjas? ¿Qué frutas son?
La niña lo hace callar:
- Ssshhhh.
Y en secreto le explica:
- Bobo. ¿No ves que son ojos? Los ojos de los pájaros que te traje a escondidas.


Pássaros proibidos
1976
Liberdade

O presos políticos urugaios não podem falar sem autorização, nem assobiar, sorrir, cantar caminhar depressa nem saudar outro preso. Tampouco podem desenhar nem receber desenhos de mulheres grávidas, casais, borboletas, estrelas ou pássaros.
Didaskó Perez, professor da escola primária, torturado e preso por ter ideias ideológicas, recebe num domingo a visita da sua filha Milay, de cinco anos. A filha traz-lhe um desenho de pássaros. Os censores rasgam-no à entrada da prisão.
No domingo seguinte, Milay traz-lhe um desenho de árvores. As árvores não estão proibidas, e o desenho passa. Didaskó elogia-lhe a obra e pergunta-lhe pelos circulozinhos de cores que aparecem entre as copas das árvores, muitos pequenos círculos entre os ramos:
- São laranjas? Que frutas são?
A menina fá-lo calar-se:
- Ssshhhh.
E em segredo explica-lhe:
- Tonto. Não vês que são olhos? Os olhos dos pássaros que te trouxe às escondidas.
Trad. livre para português (PT) 
Maria José Vitorino (2013)

Obra traduzida em português (BR)
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