Os passos a que ando, um atrás do outro, como as letras em carreirinha, do fim para o princípio.
domingo, setembro 04, 2011
...namora uma rapariga que lê
biblioteç@: namora uma rapariga que lê: . Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação po...
Membro honorário do Lerdoler!
Entre o livro e a tecnologia, sinto que o livro nos dá o direito de sermos lentos. Que é um direito que devíamos exigir ser quase constitucional.
Gonçalo M. Tavares em entrevista hoje ao Diário de Notícias, de leitura obrigatória
Este blogue, dedicado desde 2005 à (re)conquista desse direito quase clandestino, a lentidão, e também, coerentemente, à busca do livro em leitura, agradece em lágrimas esta frase do premiado escritor e vai mandar a tatuá-la no antebraço esquerdo e no teclado do computador. Em assembleia antes do almoço, foi ainda decidido convidar o GMT para membro honorário do Lerdoler.
quarta-feira, agosto 31, 2011
Dizer-se vive de outras palavras
As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste.
João Cabral de Melo Neto
terça-feira, agosto 30, 2011
quarta-feira, agosto 24, 2011
Borges
Poema de los dones
Nadie rebaje a lágrima o reproche
esta declaración de la maestría
de Dios, que con magnífica ironía
me dio a la vez los libros y la noche
Jorge Luis Borges
no dia do seu 112º aniversário
segunda-feira, agosto 22, 2011
Ray Bradbury
You don’t have to burn books to destroy a culture. Just get people to stop reading them.
— Author Ray Bradbury, whose birthday is today and who once said, “Libraries raised me.”
Happy birthday, Ray.
Um dos meus escritores de sempre!
Os meus livros preferidos da sua vasta bibliografia:
- Farenheit 451 (trad. do Mário Henrique Leiria, para edição Livros do Brasil, entre 1960 e 1970)
- Crónicas marcianas (trad. da Fernanda Pinto Rodrigues, edição Caminho, 1985)
sábado, agosto 20, 2011
quarta-feira, agosto 17, 2011
Des-desejar
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
terça-feira, agosto 16, 2011
Cidade
Utopia
Zeca Afonso
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
Homenagem à comunidade Art.º 21º do Facebook
Artº 21º da Constituição da República Portuguesa em vigor (2011):
Direito de resistência
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
segunda-feira, agosto 15, 2011
Cinema em férias
de Soderbergh (vi no King, Lisboa)
Belo filme. A fazer pensar no frio que entre nós se instala, até ao tutano da intimidade possível, nestes tempos e lugares globalizados, troikizados, "mercadizados" que nos couberam na roda da História. Sexo, claro, gente, sempre. tema eterno do cinema, da literatura, de todas as artes.
domingo, agosto 14, 2011
Ladrões de Bicicletas: Organizar a desglobalização
Ladrões de Bicicletas: Organizar a desglobalização: "Defender a “desglobalização”, na linha do último livro de Jacques Sapir e de outros bons economistas ditos neo-proteccionistas..."
"Alternativas existem: do controlo de capitais, que muitos países estão a redescobrir, à necessidade de incentivar a emergência de modelos de desenvolvimento nacionais e regionais muito mais focados na procura interna, passando pela política industrial selectiva, o que exige, no caso de Portugal, desafiar nacionalmente as regras do mercado interno europeu, porque sem base industrial não há economia que nos valha, ou pela necessidade de mecanismos de protecção comercial bloqueadores da erosão dos standards ambientais e laborais.
Trata-se de gerar uma maior margem de manobra política face às forças de um mercado global incontrolável e gerador de desequilíbrios sistemáticos. Alternativas que podem evitar que a utopia liberal em que demasiados países embarcaram acabe, uma vez mais, muito mal. É impressão minha ou muita esquerda tem andado, nos últimos tempos, demasiado silenciosa, sido demasiado complacente, nestas áreas?"
sábado, agosto 13, 2011
sexta-feira, agosto 12, 2011
Não pode haver futuro sem memória
The Mexican Suitcase is a 90 minute feature documentary that tells the extraordinary story of the recovery of 4,500 negatives taken by photographers Robert Capa, Gerda Taro and David Seymour during the Spanish Civil War
terça-feira, agosto 09, 2011
Os pobrezinhos
"OS POBREZINHOS»
leitura de Mário Viegas
Os pobrezinhos
tão engraçados
pedem esmolinha
com mil cuidados
Todos sujinhos
e tão magrinhos
a linda graça
dos pobrezinhos
De porta em porta
sempre rotinhos
tão delicados
os pobrezinhos
Não façam mal
aos pobrezinhos
Dêem-lhes pão
e uns tostõezinhos
Os pobrezinhos
tão engraçados
pedem esmolinha
com mil cuidados
Armindo Mendes de Carvalho
sexta-feira, agosto 05, 2011
Racionalizar/"Emocionalizar"
A Menina De Asperger cresceu: Racionalizar/"Emocionalizar":
"Julgo que nunca perdi as emoções; julgo que, na maioria das vezes, só me perdi das emoções. Embora elas nasçam no centro mais centro do eu,...Racionalizar é muito fácil; emocionalizar é um labirinto sem esquerda nem direita, sem pontos de referência, nevoeiro cerrado entre o eu e a luz. Deve ser por isso que escrevo, é como se criasse veias de linhas por onde circulo as emoções montadas em palavras para fora de mim. E, fora de mim, consigo ler-me melhor, consigo ler o mundo melhor... Acho eu... Eu chamo-me Ana e julgo que o nevoeiro que me faz cega ao mundo, sem ser cega, que me faz surda ao mundo, sem ser surda, que não me deixa emocionalizar como processo inconsciente, não está entre mim e mundo, está entre o eu e o mim."
Erro
Erro de Português
Quando o português
chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio.
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha
Despido o português.
Oswaldo de Andrade
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