sábado, abril 30, 2011

Partilhar aprender e criar



Amália Rodrigues e Alain Oulman criam e recriam-se. Canção Soledad.
Filmados por José Fonseca e Costa, em Lisboa (Portugal)

De cada vez que Amália cantava, cantava ainda de outra maneira:

Em 1994, Teatro da Trindade, Lisboa http://youtu.be/VXFvlpmyw8U

Mais tarde, em Alicante http://youtu.be/Y-59o6XKa04

“We are not our Brains:” Alva Noe & Brain-based Education | Norm Friesen

“We are not our Brains:” Alva Noe & Brain-based Education | Norm Friesen

Brains are not the same thing as persons. We are also our bodies, our actions, and our relations to others; and none of these are reducible to our brains or others’ brains. [...] Basing” education and instructional strategies on the brain take us back to Cartesian dualisms and the problems associated with them: Brain is separated from the person, thinking occurs in the skull, consciousness is located in a kind of “brain in a vat.” [...] in the video, [Alva] Noe describes consciousness as being “more like a dance than digestion"

quarta-feira, abril 27, 2011

Se não votas...


Campanha mexicana (Junho/Julho de 2006) apresentada aqui


O website da campanha entretanto foi desactivado, perdido na voragem digital. Felizmente este blog, entretanto também sem mais alimento, mantém o registo dos cartazes.
Curiosidade post-campanha: na Wikipedia em espanhol, há notícia destas eleições, abundante e ilustrada. Sobre os que não votaram, nem uma palavra.

terça-feira, abril 26, 2011

4 de Maio pela liberdade de e-ler e e-reler...




A campanha Defective by Design.org (http://www.defectivebydesign.org/about), lançada pela Free Software Foundation (FSF), renova o apelo para o próximo dia 4 de maio, a todos os bibliotecários, utilizadores de bibliotecas y leitores que estejam contra o DRM (Digital Rights Management). Há cerca de 3 anos, muitos concentraram-se à porta da Biblioteca Pública de Boston em protesto contra o sistema que limita o acesso a muitos títulos. A recente iniciativa da grande Editora Harper's Collin, que procura limitar a 26 o número de empréstimos possíveis por título em formato electrónico, reacendeu os ânimos.

No manifesto gerado, o Reader’s Hill of Rights, constam algumas reinvidicações tais como:
-     Os livros digitais devem estar em formato aberto. Assim, cada leitor o poderá ler não apenas num eReader, mas em qualquer computador.
-     Os livros digitais que se vão armazenando num leitor electrónico devem poder ser recuperados mediante outro hardware, no caso de se avariar o dispositivo original.
-     Os dados relaticos ao leitor/utilizadore devem ser privados, isto é, não deve ficar registado nem ser passado a terceiros para usos comerciais o "quando se lê" e "o que se lê".

A polémica continua...
informação acedida via Lectura Lab (onde podemos ler mais)

segunda-feira, abril 25, 2011

Liberdade

— Liberdade, que estais no céu... 
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.   

Miguel Torga, in 'Diário XII'

sexta-feira, abril 22, 2011

Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio




O inevitável é inviável : Manifesto dos 74 nascidos depois de 74

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com aconsciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu.Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.

O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode  significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.


O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.

O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.

Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada.

Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperançaSe nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!


Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante

Sei um ninho

Sei um ninho. 
E o ninho tem um ovo. 
E o ovo, redondinho, 
Tem lá dentro um passarinho 
Novo. 

Mas escusam de me atentar: 
Nem o tiro, nem o ensino. 
Quero ser um bom menino 
E guardar 
Este segredo comigo. 
E ter depois um amigo 
Que faça o pino 
A voar...



Ilustração de Duy Huynh

READ



We present here the wonderful poster: READ in different languages.The poster is a gift from Dr. Helen Boelens to all those people who helped her with her doctoral research http://eprints.mdx.ac.uk/7329/ by providing data and information.  The posters come in different sizes: A4 and A3 and can be downloaded from the ENSIL website http://www.ensil.eu 
They can be used either digitally, or can be printed off at a local print shop.  The poster is designed by Toon Joosen from TOON concept, art direction & design in Breda

Lourense Das (20110421), on
 behalf of Helen Boelens and ENSIL Board 

segunda-feira, abril 18, 2011

Yara Kono vence 15ª edição do Prémio Nacional de Ilustração - 2011


Bento Jesus Caraça, nasceu a 18 de Abril de 1901

“Qual deve ser a acção da Universidade Popular Portuguesa? [fonte: aqui]

…” A sua acção deve limitar-se, se é que o termo limitar pode ser empregue aqui, ao desenvolvimento e propagação da cultura. Cultura, sempre cultura e, se é necessário adjectivá-la, direi cultura revolucionária. Revolucionária em que sentido? No sentido de que ela deve tender a dar a cada homem a consciência integral da sua própria dignidade, o conhecimento completo de todos os seus direitos e de todos os seus deveres. Sejamos homens livres e criemos homens livres, dentro do mais belo e nobre conceito de liberdade - o reconhecimento a cada um do direito ao completo e amplo desenvolvimento das suas capacidades intelectuais, morais e materiais."
Bento Jesus Caraça, nasceu a 18 de Abril de 1901 ~ Português pleno de Consciência Humanista

Trabalhos escolares sobre o tema um exemplo aqui

sexta-feira, abril 15, 2011

Poema a 8 dias do Dia Mundial do Livro

Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências. Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.  
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.  
Obrigado por nos roubarem.
Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono.
E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.    

Joaquim Pessoa

quinta-feira, abril 14, 2011

Tunísia. Paridade de género? Yes, we can, dizem os tunisinos

Tunísia. Paridade de género? Yes, we can, dizem os tunisinos



Listas para o Parlamento na Tunísia agora com paridade homens/mulheres, por lei.
Um impressionante passo, aparentemente fácil, evidentemente de grandes consequências. Vivam as meninas e os meninos tunisinos(as).
Revoluções.

segunda-feira, abril 11, 2011

Faltam 12 dias para o Dia Mundial do Livro

Outro blog Ler para crer, desatou a relemebrar poemas, um por dia, até lá. Imitar é bom quando é com o que se imita. Aqui vai o primeiro de 12 (estou dois dias atrasada), uma espécie de desgarrada bibliotecária e leitora.




Os Meus Livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.


Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"