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sexta-feira, julho 01, 2011

Não há degredo quando

Exílio Adriano Correia de Oliveira, poema de Manuel Alegre, interpretação de Luís Cília




Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.

Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.

Pode ser uma ilha, uma prisão

Em qualquer parte estou presente
Tomo o navio da canção
E vou direito ao coração de toda a gente.

Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.

Venho dizer-vos que não tenho medo.

domingo, junho 12, 2011

Lavar cidades




Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar  

Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores  

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas  

Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro  

Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata  

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar  

Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais  

Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas  

Leva nas águas as grades
...  

Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo  

Tejo que levas nas águas


Manuel da Fonseca